Agosto 29, 2008

Achei isso salvo nos meus rascunhos do Gmail. Não sei ao certo a conjuntura na qual eu salvei o texto, mas enfim. É lindo. E verdadeiro.

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o McDonald’s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso… É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Post clichê

Agosto 27, 2008

E depois da tempestade, dos trovões e dos corpos em alto mar… A gente sempre consegue chegar na praia, né? Morto, vivo. De qualquer maneira, acabamos chegando. Então, nos deitamos sobre a areia e percebemos como o brilho do Sol é lindo – nunca tivemos tempo pra reparar nele -, como o céu claro é belo e calmo e como, mesmo depois da tormenta, algumas coisas valem a pena.

Vale a pena acordar todo dia, mesmo sabendo que o dia vai ser difícil, que vão encher seu saco, que você vai chegar em um nível de irritação tão alto que você vai se perguntar se colou chiclete na Santa Ceia. Vale a pena lutar pelas coisas, porque você tem pelo quê e por quem lutar, e só isso já vale o esforço. Vale a pena aguentar um montão de coisas, se a gente for analisar. Se a tempestade foi muito violenta, é porque tinha algo muito bom aguardando a gente. Ninguém sofre por acaso, ninguém passa por provações por acaso. Eu acho mesmo que tudo tem um porquê.

Eu nem sei porque vim escrever isso, mas deu uma vontade! Eu tô feliz como eu não fico há muito tempo. Apesar de algumas coisas (leia-se: falta de fé em mim e nos outros, sentimento de que algumas pessoas realmente não têm fé em mim – o que acaba me derrubando -, saco cheio, vontade de que esse ano termine logo, trechos negritos de Caio F., e mais uma série de problemas), eu tô conseguindo ficar feliz. Como diria meu amor, Charlie:

So, if this end up being my last letter, please believe that things are good with me, and even when they are not, they will be soon enough. And I will believe the same about you.

Tudo fica bem. Sempre fica bem. Não importa por quantas situações difíceis você teve que passar, você sempre tem sua recompensa. E mesmo que venham mais e mais tormentas, você sabe que é forte o suficiente pra vencer todas as malditas ondas que insistem em te derrubar. Elas não vão te fazer cair. Nossos desejos bem maiores e fortes que elas.

E sempre vão ser.

”As pessoas suportam tudo, as pessoas às vezes procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autofágica, consumida em si mesma, transformada em outra coisa que não saberia dizer qual era.”

“Minha aparência é péssima, a mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue.”

“Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só para ver você dormindo, meu deus como você me doía de vez em quando. Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio de uma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando”

“Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.”

“Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.”

“Para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.”

Caio.

finally over

Agosto 19, 2008

”Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e .ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso.

A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

Caio F.

Por que eu não consigo, Deus??!! São 2:22 da madrugada e eu simplesmente acordei lembrando de tudo e querendo escrever aqui pra jogar metade do que eu sinto pra longe (mesmo sabendo que depois tudo vai voltar com a mesma intensidade), pra ver se dava alívio ou sei lá o quê. Meu Deus, eu só quero esquecer!! É pedir demais?! Eu acho isso uma coisa tão pouca, eu deveria ser ouvida! Só eu sei, SÓ EU SEI, o quanto é difícil guardar aqui dentrinho de mim toda a minha vontade de explodir, de jogar na cara daquelas pessoas, daquela mesma, tudo que eu sei, e questionar tudo que eu quero questionar! Céus, eu sei que já passou, mas eu tenho certeza que você que está lendo isso se sentiria da mesma maneira se descobrisse que algo assim aconteceu na sua vida e aquelas pessoas, aquela mesma, não foi verdadeira o suficiente pra te contar nada. SÓ EU SEI o quanto a minha vontade de pisar em cima é grande, de me vingar, de tomar meu veneno, só pra ver aquelas pessoas, aquela mesma, sentir o que eu to sentindo esses dias (e eu sei que a reação seria pior, e isso só aumenta minha vontade de fazer o que quero, mesmo sabendo que eu sou tola o suficiente pra ficar com pena depois).

Merda, merda, merda!!!